HI-FIVE Audio

Audição RMD PH-2 Reference 

A audição de um equipamento depende, obviamente, do Sistema de Som onde se integra, da gravação da música, do sistema elétrico, da acústica da sala, dos ouvidos, gostos e conhecimentos de cada um.

Por isso, o mais importante é ouvir. Após a leitura de cada audição efetuada por nós, convidamo-lo a ir ouvir e tirar as suas próprias conclusões. 

Lisboa, 25.jul.2023 – José Costa

No decorrer das nossas audições de equipamentos portugueses de alta-fidelidade, foi gentilmente cedido pela RMD na pessoa do Ricardo Domingos, o pré-amplificador de gira-discos da PH-2 Reference. 

Apreciação da Qualidade de Construção e Estética

Divido em dois módulos, a unidade de alimentação e o andar de phono, deparamos com a soberba qualidade estrutural e componentes da mais elevada qualidade. 

Em termos estéticos, estamos perante um equipamento de excelente design, com uma criteriosa escolha de materiais e acabamentos, sobressaindo na frente os vuímetros que lhe conferem um encanto especial, e na traseira a panóplia de comutadores. 

Alguns dados técnicos (do fabricante)

Fonte de alimentação externa regenerativa.

Circuito de ruído ultra-baixo apenas para bobinas móveis

Duas entradas balanceadas e uma entrada de terminação simples.

Carregamento ajustável no painel traseiro para cada entrada

Ganho ajustável (56 a 74 dB de ganho)

Tolerância de resposta em frequência de +- 0,1dB

Sistema de Som

O sistema de som onde se realizou a audição é composto por:

Fontes digitais: não utilizadas nesta audição; Gira-Discos – Rui Borges (Primo, versão com prato de vinil); Braço – VPI JMW Memorial tonearm ; Célula – AT-OC9 com corpo em pau preto

Pré-Amplificador: Nagra PL-L; Amplificadores – Karan monoblocos KA-M 1200; Pré-amplificador de phono – foi integrado o RMD PH-2 Reference

Cabos: ZDL Vibrato em todo o sistema

Colunas: Revel Salon I

Filtro de corrente; PS-Audio Premier (exceto para os amplificadores).

O sistema é alimentado por um circuito de eletricidade independente e  a sala não tem tratamento acústico. 

 

Nota prévia

Para a audição do pré de phono RMD PH-2 utilizei a minha antiga AT-OC9 adquirida em 1989, (modificada, pois agora tem  um corpo de pau preto) uma vez que a minha célula habitual sofreu um “acidente”. É elegante, dinâmica, a alteração efetuada deu-lhe mais consistência, mais profundidade, maior envolvência.

Audição

Começamos a nossa audição com Avalanche. A voz de um Leonard Cohen ainda novo, ligeiramente anasalado, simplesmente fabulosa. O som das cordas da guitarra bem evidentes, recortadas. A orquestra surgiu em profundidade. Todo o conjunto a soar envolvente, dinâmico, com amplitude e profundidade de palco. Na faixa seguinte, Last Year’s Man, as vozes de acompanhamento bem audíveis, na retaguarda, como deveriam estar.

Passamos de seguida para Smooth Operator. A voz fantástica da Sade, com todas as suas micro variações.

Ouvimos a faixa Midnight Sugar. O piano está fabuloso, cheio, profundo, uma dinâmica e ataque impressionantes, os pratos maravilhosos. O contrabaixo recortado, definido, presente.

Coloquei a primeira faixa do disco Double Bass de Neils-Henning Orsted Pedersen e Sam Jones. A complexidade dos contrabaixos é desafiante para qualquer sistema. Nesta audição, os contrabaixos surgem claros, rápidos, distintos, dinâmicos.

Continuamos as audições, com a faixa Sour Face. A voz fabulosa da Bryony, a separação dos instrumentos graças igualmente ao silêncio do PH-2, é a melhor que já ouvi em qualquer pré de phono.

Em Raiders On the Storm, a trovoada aparece com uma profundidade de palco impressionante.

The Pink Panther theme e Had Better Be tonight. Maravilhoso; detalhe, profundidade, separação de instrumentos, riqueza timbrica, dos metais, das percussões. Atrevo-me a dizer que cada instrumento já não soa ao instrumento mas é o instrumento. 

Na clássica, duas experiências extraordinárias: The Planets, de Gustav Holtz e The Magic Bow, The Michael Rabin, tão fantásticos que ouvi os discos do principio ao fim. Tocam maravilhosamente, como nunca tinha ouvido.

Para terminar em apoteose: Carminho, Portuguesa.  Holográfica, realidade virtual, chamem o que preferirem. O certo é que a senhora está presente a cantar na sala de audição.

Conclusão

Ao longo dos vários dias que tive o PH-2, as várias audições com diferentes discos permite-me concluir:

Timbricamente, o PH-2 revela uns excelentes agudos, uma fabulosa gama média, a melhor que já ouvimos. Nos graves e no ataque dos graves, acho-os presentes, muito controlados, bonitos.

Este PH-2 superou as expectativas: A maior amplitude e profundidade de palco, dinâmica, envolvência, que já ouvi neste sistema. A realidade virtual é mágica. 

Discografia utilizada

Avalanche e Last Year’s Man – Songs of Love and Hate –  Leonard Cohen (CBS)

Smooth Operator – Diamond Life – Sade (Epic Records)

Midnight Sugar – The Famous Sound of Three Blind Mice vol.1 – Tsuyoshi Yamamoto Trio – (Three Blind Mice / Impex Records)

Falling in Love with Love – Double Bass – Neils-Henning Orsted Pedersen, Sam Jones SteepleChase Records)

Raiders on the Stom – L.A. Woman – The Doors (Elektra Records)

Sour Face – Cage and Aviary – Bryony Jarman-Pinto (Tru Thoughts)

O quarto, As flores – Portuguesa – Carminho (Warner Music Portugal)

The Pink Panther theme e Had Better Be tonight  – Henri Mancini – The Pink Panther – H. Mancini and his Orchestra (RCA / Dynagroove / Speakers Corner)

Gustav Holst – The Planets – Los Angeles Philarmonica, Zubin Meta (Decca / Speakers Corner)

Michael Rabin – The Magic Bow – The Hollywood Bowl Symphony Orchestra, Felix Slatkin, M. Rabin (Capitol)