HI-FIVE Audio
Audição Cinnamon Galle DAC
A audição de um equipamento depende, obviamente, do Sistema de Som onde se integra, da gravação da música, do sistema elétrico, da acústica da sala, dos ouvidos, gostos e conhecimentos de cada um.
Por isso, o mais importante é ouvir. Após a leitura de cada audição efetuada por nós, convidamo-lo a ir ouvir e tirar as suas próprias conclusões.
Lisboa, 21.fev.2024 – José Costa
No decorrer das nossas audições de equipamentos portugueses de alta-fidelidade, foi gentilmente cedido pela Cinnamon na pessoa do Ricardo Canelas, o DAC Galle.
Apreciação da Qualidade de Construção e Estética
O DAC Cinnamon Galle veio numa “flight case”, devidamente acondicionado. Quando retirado da caixa, somos surpreendidos pela estética inovadora, arrojada e rapidamente cativante, pela sua solidez, pois é constituído por um bloco em alumínio e bronze, e qualidade de construção, onde chama à atenção o painel traseiro em raiz de nogueira sem parafusos ou outros elementos indesejados.
Funcionalmente tem uma entrada USB e uma coaxial digital, saídas RCA e balanceadas e um botão on-off. No paindel frontal, um led discreto no meio do logotipo informa que o equipamento está ligado. E não é necessário mais nada. A comutação entre entradas é efetuada automaticamente.
Alguns dados técnicos (do fabricante)
Remeto para a página do fabricante e para as entrevista dadas a descrição da arquitetura interna do DAC bem como dos formatos dos ficheiros áudio e suas conversões.
Sistema de Som
O sistema de som onde se realizou a audição é composto por:
Fontes digitais: Transporte Mark Levinson nº37; Streamer/Server Innuos Zen ; DAC Cinnamon Galle
Fontes analógicas: não utilizadas nesta audição
Pré-Amplificador: Nagra PL-L; Amplificadores – Karan monoblocos KA-M 1200
Cabos: ZDL Vibrato em todo o sistema
Colunas: Revel Salon I
Filtro de corrente; PS-Audio Premier (exceto para os amplificadores).
O sistema é alimentado por um circuito de eletricidade independente e a sala não tem tratamento acústico.
Audição
Se uma imagem vale mil palavras, quantas palavras são necessárias para descrever um som? Receio não conseguir transmitir por palavras a excelência do Galle. Tenho um Mark Levinson 30.6, e só efetuo a comparação porque está descontinuado. Se este foi considerado à época um dos melhores DACs, penso que o Galle poderá entrar na mesma categoria em pleno 2024.
Mas vamos ás audições, efetuadas por um painel de 4 elementos. Como primeira impressão, a dinâmica e a não compressão. Com efeito, embora o Nagra PL-L esteja longe de ser um pré-amplificador lento ou suave, o sinal enviado pelo Galle espevita o sistema, tornando-o mais rápido, mais dinâmico, sendo ao mesmo tempo musical (e com este musical não se entenda ser “easy listening”, mas o facto de não ser metalizado, agressivo, áspero). Outro membro do painel comentou que é um som “raw”, “direto”, no sentido em que o que é enviado pelo transporte ou pelo streamer não é alterado – não é suavizado, metalizado, colorido, etc…
Iniciámos com a audição de CDs, e não podia faltar a faixa My Favorite Things. A voz da You Sun Nah detalhada, firme, sólida, à altura correta, com o seu timbre maravilhoso; a kalimba, com as suas múltiplas micro-variações, a quase visualização do instrumento, resultado de um detalhe imenso que o Galle consegue processar.
Em Midnight Sugar, a grandiosidade do piano, o ouvir o feltro da tecla, a dinâmica de certas notas; no contrabaixo, a presença do grave, a sua musicalidade, o controlo; nos pratos, a nitidez das escovas a tocar nos pratos, metálico como o deve ser mas não estridente nem digitalizado.
Em Falla, introdução e La Tarde, tudo impressiona; a profundidade de palco dado pela soprano, a limpidez das palmas e dos trilos das castanholas; os metais o seu posicionamento no espaço, os diversos timbres bem identificados, a separação dos bombos; a qualidade dos agudos e médios, maravilhosos, a amplitude de palco, a transparência, a rapidez, a dinâmica.
Por último, Winton Marsalis, com uma dinâmica supreendente, uma separação incrível, uma focagem, em que cada instrumento está ali, per si, sem se misturar.
Mas sou sincero. Percebia-se que o Galle estava pronto para receber ainda mais e melhor informação a montante; Quanto melhor a fonte, maior a qualidade entregue pelo DAC. E confirmámos isso com a segunda parte da audição.
Começámos a audição do streamer com o Zen ligado diretamente à rede por um cabo Ethernet comum. Ouvimos algumas faixas e decidimos colocar um “switch” e cabos de Ethernet de qualidade superior. Com o sinal digital mais limpo (para utilizar um termo geral), todo o circuito digital subiu alguns patamares, evidente na amplitude do palco e na solidez musical, só para referir alguns.
Com o Stabat Mater Dolorosa, o tempo musical, a coerência tímbrica, a não compressão da voz e a sua subtileza, o seu encanto.
Em Life Goes On, o ritmo, a melodia do saxofone, a qualidade do grave do contrabaixo e o seu controlo.
Em Cantiga Sua, mais do que o timbre da voz, as suas pequenas modulações e as do assobio, e mais uma vez o tempo musical
Para diversificar um pouco, entrámos na eletrónica de Bubbles, onde é notória a amplitude musical, as bolas a não soarem digitais, a envolvência da electrónica.
Por fim Gelido in ogni vena, em que aconteceu nesta faixa o que tinha experenciado com o RMD PH-2 Reference e Carminho: A Lea Desandre materializou-se e foi como se estivesse a cantar na sala. Um momento que espero voltar a repetir. Assombroso.
Conclusão
Repito: A amplitude do palco nas 3 dimensões, O tempo musical, a excelência e o equilibrio entre todas as gamas, a falta de compressão, a musicalidade, a transparência, a não digitalização, não aspereza nem granularidade dos agudos, são alguns dos factores que tornam este um dos melhores DACs que já ouvi, e que, como disse um amigo, nos transportam para uma “realidade virtual sonora”.
Discografia utilizada
My Favorite Things – Same Girl – Youn Sun Nah
Midnight Sugar – Midnight Sugar – Tsuyoshi Yamamoto Trio
Introdução e La Tarde – Falla – The Tree Cornered Hat – Charles Dutoit (Decca)
Altar Call 2 – In This House On This Morning – Winton Marsalis Septet
Stabat Mater Dolorosa – Stabat Mater – Pergolesi – Phillippe Jaroussky (Erato)
Life Goes On – Life Goes On – Carla Bley
Cantiga Sua – Folia Nova – Sete Lágrimas (Arte das Musas)
Bubbles – Wandering – Yosi Horikawa
Gelido in ogni vena – Vivaldi – Air’s d’opéras – Thomas Dunford, Lea Desandre (Alfa)